Páginas

9.08.2010

O Piano Maldito - Parte Final - Joe Loringer



A família Loringer era formada por quatro pessoas: Sr. Loringer, Sra. Loringer e seus pequenos filhos Joe e Vanessa. Vanessa tinha cinco anos e adorava brincar, como qualquer criança. Já Joe tinha 9 anos, era estudioso e adorava tocar piano. Quando tinha cinco anos, entrou em uma escola de música. Seus pais haviam notado o interessse do filho pelo pianinho que deram à ele de aniversário, e resolveram 'apostar'. Julia, sua professora, lhe ensinou a tocar piano. Ela era alta, bonita, cabelos anelados e tinha a voz maravilhosa. Digamos que isso ajudou o pequeno Joe, gostava muito da professora. Quando sua avó morreu, ele tinha 7 anos e, no funeral, foi ele quem tocou a marcha fúnebre. De certa forma, isso o ajudou a superar a perda. Atualmente, ele toca Mozart e Beethoven e é o melhor aluno de música.
Mas hoje é feriado! E a família Loringer decidiu passear pelo museu de música, a pedido de Joe. Os quatro entraram pela porta principal, Joe olhava bem os instrumentos e Vanessa, segurando sua linda boneca de cabelos castanhos, tentava tocá-los. "Não encoste em nada, menina", Sr. Loringer disse. Um guarda se aproximou ao ver a menina. 
"Vejo que a senhorita quer tocar algo, não é?" - Vanessa acenou timidamente com a cabeça - "Venham, bem ali tem alguns instrumentos que você pode tocar."
A família Loringer se dirigia ao local, mas Joe queria explorar mais o museu. "Vou ver mais alguns instrumentos pai", disse. Com a autorização do pai, Joe se afastou. Via cada um com interesse, gostava dos instrumentos, mas não podia esperar para ver um piano! Ele era simplesmente fascinado por piano. Qualquer garoto da idade dele estaria jogando video-game, mas ele não. Olhou bem a sala, e concluiu que não havia nenhum piano ali. Olhou para os pais e Vanessa, eles estavam se divertindo e distraídos, nem notariam a falta dele por alguns minutos, pensou. Então, decidiu atravessar uma das portas.
Na nova sala, viu um clarinete e uma flauta. Não satisfeito, passou para outra sala. Um violão e um violino. Passou para outra. Não estava interessado em mais nenhum objeto. Passava por eles e sua vontade de ver um piano aumentava. Passava pelas portas, sem voltar, até que viu uma porta diferente: havia notas douradas desenhadas em sua superfície, a porta era vermelho camurça e a maçaneta lembrava uma tecla de piano. Esperançoso, entrou.
A sala era mal iluminada. Caminhou um pouco e reparou que havia duas fileiras de castiçais, castiçais de um metro. Aquela sala lhe dava medo, mas decidiu caminhar mais um pouco. Ao passar entre o primeiro par de castiçais, as velas se acenderam, em um fogo verde. Ele rapidamente se virou e viu as velas. Com medo deu alguns passos para trás, passando pelo segundo par. Esses também acenderam. Seu medo aumentou e começou a correr e, a medida que passava pelo 'corredor', as velas acendiam. Até que bateu a perna em algo, quase caindo. Se segurou em algo que lembrava uma mesa. Olhou bem, seus olhos brilharam. Acabava de ver um magnífico piano. Havia batido a perna no banco, em frente ao piano. Como mágica, seu medo se foi.
Sentou-se no banco, era um pouco pequeno para ele. Incrivelmente, o banco começou a subir, deixando o garoto em uma altura ideal para tocar. Sua emoção era tanta que não ligou, e começou a tocar a 9ª Sinfonia de Beethoven. A música preenchia a sala, a luz verde iluminava totalmente o lugar. Joe olhou em volta, e viu a beleza das paredes, pareciam estruturas de Roma. Olhou para cima, o teto parecia esculpido: havia um anjo e um demônio, um de costas para o outro, suas expressões eram semelhantes: pareciam esperar algo. Joe voltou a olhar para o piano e continuou a tocar a melodia.
Lentamente, a tampa do piano foi tomando a posição vertical. Isso assustou Joe, que parou de tocar. Joe não tinha forças para sair, ficou paralizado de medo, e a moldura apareceu no piano. Dentro dela, foi mostrada a imagem de Julia, sua professora.
Joe olhou bem os olhos dela, sentia uma imensa ternura emanando de sua imagem. Isso o acalmou. A professora começou a cantar: 

"Freude, schöner Götterfunken
Tochter aus Elysium,
Wir betreten feuertrunken,
Himmlische, dein Heiligtum!..."

Joe entendeu a mensagem dela, e voltou a tocar a sinfonia. O ambiente agora estava delirante, a melodia de Beethoven tocada por Joe e cantada por Julia. Ele estava tão alegre e distraído que não percebeu que as cordas do piano lentamente saíam. Uma das cordas acariciaram o rosto de Joe, que soltou um grito. "Não tenha medo", disse a professora sorrindo, "continue tocando", e ela voltou a cantar. Joe obedeceu. 
As cordas arrastaram os castiçais e os colocaram em volta do garoto e do piano, formando um círculo. A luz verde deixava o ambiente maravilhoso, e Joe olhou para cima. O demônio tinha uma expressão de raiva, e o anjo estava sorrindo. Podia jurar que ouviu o anjo dizendo ao demônio: "Viu? O mundo não é só trevas. Uma alma pura como essa merece a vida". Joe agora estava sem medo, e tocava com todo o coração, vendo sua professora cantar. Quando a música terminou, a professora disse "Obrigada!", e sumiu. A moldura desapareceu. As cordas do piano arrastaram os castiçais, formando um corredor. Mas esse, agora, indicava o caminho para uma porta. O fogo ainda emanava sua luz verde, o banco pousou no chão e as cordas apontavam a direção do corredor. Joe olhou para trás e sorriu para o piano. Algumas cordas o empurraram gentilmente para a saída. O garoto abriu a porta e, antes de sair olhou o piano de novo e disse "tchau". Seus olhos brilhavam e pensava: acabara de passar o melhor momento de sua vida. Joe saiu.
O piano recolocou os castiçais no lugar, formando o típico corredor, e recolheu suas cordas. As velas foram apagadas, e a sala voltou a monotonicidade de sempre.

Esse é o último caso que conto sobre tal piano e deixo uma pergunta a vocês: seria mesmo o piano... maldito?

Douglas Mateus

32 comentários:

  1. bem legal o jeito que você escreve :)
    não é muito meu tipo de leitura mas comecei a ler e gostei bastante, parabens ;D

    http://medrops.com | @medrops

    ResponderExcluir
  2. Parece interessante! Música e literatura costumam se misturar bem. Vou começar a ler da parte 1. Abraço.

    ResponderExcluir
  3. Gostei muito deste texto, prende bem. Muito bom msm! Parabéns pelo blog, muito bacana!

    ResponderExcluir
  4. Não acredito em maldição! definitivamente...
    mas, acredito, piamente, em milagres. Em escolhas, em estar pleno para ser feliz. Esse é o meu jeito de olhar a vida. Acredito que o piano tenha alma. Que através de seus acordes ele pode dar vida ao som. E usa as pessoas como instrumentos. É um sonho. É um som que nos leva de encontro ao belo. Do eterno. Do real.
    Voce escreve super bem, menino...parabéns!!!
    Vou te seguir pra assistir ao seu sucesso assim, bem de pertinho!
    Abraços!

    ResponderExcluir
  5. Que ótimo seu textoo... ameii de verdade, estou lendo desde a parte 1... quem sabe a blogesfera não lança um grande autor.

    ...

    Obrigada pela visita Mateus..
    Beijo grande.. fica com Deus!!

    ResponderExcluir
  6. Olha cara o texto é bem legal! Porém tente dividi-lo em mais partes, assim cansa de ler.

    ResponderExcluir
  7. Mateus, a tua forma de escrever torna tudo muito real. Eu diria que esse seria um piano mais prá justiceiro do que maldito. A música, em todas as suas variantes, capta a alma das pessoas e de certa forma pode levá-las ao inferno ou ao paraíso. Você descreveu isso de forma brilhante.
    Bjos.

    ResponderExcluir
  8. Réee!! Texto paw!!! Cara, acho que num tem nada de maldito não, pelo contrario =) Viajei aqui no cenário que vc criou!! Parabéns!

    ResponderExcluir
  9. Acredito que não era maldito...
    Superinteressante seu conto! Parabéns e sucesso com o blog!=)

    ResponderExcluir
  10. Putz, que desfecho... Gostei mto... Mas eu não acredito em maldições não!! Belo texto! bjão!


    www.brincandodefazerpiada.blogspot.com

    ResponderExcluir
  11. bom, a curiosidade matou o gato!
    talvez a musica seja maldita. rs
    otimo texto, passa la no meu blog - http://www.maquinazero.com.br/blog/
    abrs

    ResponderExcluir
  12. Eu acredito que não tenha nada de maldito.
    Parabéns pelo texto velho... Viajei no seu texto!

    Abraços

    ResponderExcluir
  13. iiiiiiiiih! li o final num tm mais graça ahuahau
    gostei de como vc escreve, sem enrolação

    ResponderExcluir
  14. Nossa, adorei o texto. Parabéns! Não li as outra partes ainda... mas, irei lá agora pois ficou bem instigante.

    Abs,
    Érika dos Anjos
    http://www.oquartoelemento.com.br

    ResponderExcluir
  15. Cara pode me enviar as partes anteriores?
    Volto e comento por completo, pode ser?
    Abraço!

    ResponderExcluir
  16. O texto final está bem interessante. Parabéns!

    ResponderExcluir
  17. interessante,,,blogs assim faz a diferença...uma boa leitura;;;parabens...

    ResponderExcluir
  18. Gostaria de agradecer seu comentário no meu blog!

    Agora seu texto!

    Você escreve muito bem! Possui uma escrita poética e metafórica! Adorei! Ahh, você fala alemão? Digo isso pelo canto da professora!

    Abraço!
    Leandro Hellsing

    ResponderExcluir
  19. Tem uma ótima estrutura os textos, são mto bons continue escrevendo garoto ;D



    http://depoisquando.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  20. li outras partes...storia muito boa...

    ResponderExcluir
  21. Legalm gostei.
    Acho que fiquei um pouco no vacuo, pois não li as outras partes.

    Mas está realmente legal.
    A escrita está boa, não é enfadonha, e tem partes que ficaram bem sinistras :)

    Escolheu bem os nomes dos personagens :D

    Está de parabéns .

    beijoos

    ResponderExcluir
  22. Já lii, e adoreiiii..
    muitoo boomm....

    Beijoos......


    Adoro aqui d+

    http://entrelinnhas.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  23. No seu texto ouvi a melodia do piano que promove tantos encontros e sentidos.

    Abração amigo.

    ResponderExcluir
  24. Na minha opinião a sala é uma catalizadora de desejos. A grande paixão do menino Joe era sua professora que se abriu para realização do amor platônico. O piano não é maldito. Ele apenas proporciona um desejo íntimo e, às vezes, ocultos que pode trazer coisas boas ou ruins no futuro. Basta a intenção de quem o conduz.
    Excelente!
    Sempre honrado por sua visita!

    ResponderExcluir
  25. Na medida!
    OP ritmo do texto seduz e instiga!
    ;D

    ResponderExcluir